quarta-feira, 30 de maio de 2007

Filho único? Bléééé!!!

Filhos únicos sofrem preconceito.

É sempre assim: você chega num lugar novo, conhece algumas pessoas novas, algumas o acham interessante, e aí surge uma conversa bacana, descontraída, embalada pela sua curiosidade a respeito dessa pessoa nova e vice-versa. Vocês falam sobre comida, cinema, música, viagens, trabalho. Histórias de infância.

_ ...e, uma vez, minha irmã estava na cama de baixo, chutou a cama de cima, e o beliche desmontou! Des-mon-tou! Nossa, eu caí em cima dela, foi muito engraçado! HAHAHAHAHAHAHA!
_ HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA...
_ E você, tem irmãos?

É quando a mágica acontece: você responde que não e, no mesmo momento, a pessoa aperta os lábios, levanta as sobrancelhas e simplesmente olha para baixo, numa expressão que lembra um misto de nojo e pena, e então simplesmente murmura:


_ Hummmmmm...

Pausa. Momento de silêncio que dura cerca de 3 intermináveis segundos. Pronto...

_ ...e é bom ser filho único?

Por favor, se você tem irmãos, não faça essa pergunta, ok? É claro que é bom! Nunca conheci ninguém que tenha tentado se matar por não ter irmãos. Se não é bom, é normal, é nossa única referência! Aliás, a maioria dos personagens da Turma da Mônica não tem irmãos!

...e, então, olhando para cima, tentando não deixar que a pessoa se sinta idiota, você sorri e responde:
_ É... Normal.
_ Mas assim...

Pausa de novo. Mais um constrangedor intervalo silencioso. Segue:

_ Assim, é melhor ser filho único?
_ Olha, eu nunca tive irmãos para comparar...

É. Eu sei. A resposta é bem idiota.
Por favor, não faça essa cara de quem acaba de ouvir uma resposta imbecil, porque sua pergunta não foi lá das mais inteligentes.

Normalmente o que se segue depois desse diálogo padrão são comentários como:
* Hum, você deve ser muito mimado. Filho único, já viu!
* Mimadiiiiiiinho!
* Nossa, deve ser muito ruim. Imagina quando seus pais morrerem?
* Nossa, mas você é tão legal que nem parece filho único!
* Mas sua mãe não quis mesmo ter mais filhos?
* É bom que seus pais sempre devem ter dado todos os presentes que você pedia, né?

Bem, gente, mil perdões, mas eu nem vou me dar ao trabalho de comentar essas frases acima. Limito-me a dizer que elas são tão ou mais desnecessárias quanto a primeira parte do diálogo padrão.

Se você é filho único, certamente já passou por essa conversa várias vezes ao longo da vida. Se você não é, provavelmente já fez essas perguntas em algum momento. Ou então pré-julgou algum filho único - mesmo que pelas costas - dizendo que ele era insuportável pelo simples fato de não ter irmãos!

É verdade que as mães dão mais atenção quando você é o único filho; o caçula e o primogênito numa pessoa só. Mas isso não quer dizer que a pessoa será má, egoísta, arrogante ou intransigente. Isso também tem muito a ver com personalidade e caráter, e com o fato de seus pais serem ou não bons educadores.

A parte boa de ser filho único é que seus pais necessariamente terão mais recursos financeiros, logo, o padrão de vida de um filho único, cujos pais recebam um salário igual ao dos pais de uma família maior, será bem melhor. Assim, ao longo da vida, você poderá fazer mais viagens e dificilmente sofrerá comparações caso sua vida seja um total fracasso.

A parte ruim é que você sofre mais cobranças da família, e nunca terá sobrinhos. Aliás, não ter sobrinhos é a parte mais triste...

Concluindo: o filho único é uma pessoa tão legal quanto as outras. Dê-lhe uma chance!
E não seja chato, da próxima vez, faça assim:

_ E você, tem irmãos?
_ Não, sou filho único...
_ Ah, tá! Já conheceu a pizzaria nova que abriu aqui no bairro?

Um comentário:

Cristina disse...

Não sei se vc sabe, mas eu tb sou filha única, e sou uma pessoa MARAVILHOSA!!! rsrsrs