quarta-feira, 5 de novembro de 2008

O Presidente Negro

Não, este post nada tem a ver com o livro de Monteiro Lobato. Embora a comparação entre o título do livro e o assunto que abordo fosse super oportuna, já que o livro de 1926 fala justamente sobre a eleição de um presidente negro nos Estados Unidos num futuro então distante, o enredo é tão diferente (beirando o nazismo, eu diria) que decidi fugir do óbvio e não fazer essa comparação entre o título do livro e o fato.

Este post, meus caros, fala sobre um outro presidente negro. O título não poderia ser diferente:

Barack Obama foi ontem eleito presidente dos Estados Unidos.

Sei que, na prática, a diferença entre a seleção de presidentes norte-americanos para mim enquanto cidadã média brasileira é mínima, afinal de contas, ganhe quem ganhar, a parte que realmente me afeta é a política externa, e essa nós já conhecemos bem: o que for de seu interesse, independente do que isso possa significar e custe isso o que custar, é o que prevalece e ponto final.

Um espirro lá acaba significando uma pneumonia no Brasil. Por isso, espero mesmo que Obama consiga estabilizar logo a crise econômica que vem afetando todo o resto do mundo. E espero também, do fundo do coração, que o novo presidente preze a paz durante seu governo. Não somente a paz dos interesses de corporações norte-americanas, e sim em todas as ações tomadas durante sua gestão. Entre outras medidas, Obama prometeu estabelecer novos padrões na política internacional, como o fim da guerra do Iraque e ações diplomáticas no Oriente Médio. Só isso já soa para mim como um vislumbramento de um suspiro de alívio em todo o mundo prometido para breve.

Admito que estava na torcida por Obama. Primeiro porque ele é da "oposição", do partido Democrata. É, eu tenho sérias restrições quanto aos republicanos (acredito que a maioria dos brasileiros, não?). Em segundo lugar porque, de certa forma, vejo nessa eleição um grande passo para a realização do sonho de Martin Luther King.

_ I have a dream!


Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos desdentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade.
(...)
Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje!
Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia no Alabama meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje!


Apesar de ter deixado claro que não se serviria da questão racial durante sua campanha, sua candidatura certamente empolgou os negros, que formam cerca de 12% da população do país. A questão racial apareceu algumas vezes, entre elas durante as prévias do Partido Democrata, nas quais Obama derrotou a ex-primeira-dama Hillary Clinton. Tratando da polêmica, Obama pediu o fim dos conflitos raciais em discurso.

Pode ser ingenuidade de minha parte, mas realmente acredito que a eleição de um presidente negro num país racista como os Estados Unidos da América representa uma grande vitória e é, sim, um sinal de novos tempos. Talvez toda essa bobagem de julgar a competência de uma pessoa pela cor de sua pele esteja enfim terminando ou, pelo menos, perdendo dimensões.

É, sei que o mundo não é assim tão cor-de-rosa, mas não custa sonhar que as ações norte-americanas passarão a ser um pouco menos egoístas. Fato: este meu post foi tão otimista que estou quase me sentindo a Branca de Neve. Mas quer saber? "Assim seja".

Um comentário:

cintia sibucs disse...

só espero que ele não seja uma esperança como foi um tal de lula aqui nos trópicos...