quarta-feira, 6 de maio de 2009

Monólogos da Vagina

Não tem jeito: sou a pessoa mais bairrista que conheço e, volta e meia, acabo falando sobre minha cidade aqui. Pois bem: a Prefeitura Municipal de Volta Redonda tem uma triste mania de seguir fielmente a política do Pão e Circo, que já deveria ter caído em desuso há séculos mas nosso ilustríssimo prefeito continua pondo em prática a todo vapor.
Há pouco mais de 1 mês, muitos artistas da minha amada cidade montaram um projeto que derrubaria a Secretaria Municipal de Cultura. E o que foi que a PMVR fez como forma de calar a boca dessa gente? Espetáculos de graça! \o/


Quer mais fácil que isso?!
Bem, quando eu estudava Produção Cultural, aprendi que "evento é vento", ou seja, de nada adianta fazer alguns shows de graça se a produção cultural na cidade não for de fato fomentada. Mas isso é assunto para outro post, amigos.

Escrevo porque fiquei surpresa com o espetáculo que a prefeitura escolheu para abrir a série de eventos "Cultura Para Todos": Monólogos da Vagina. Notem bem: não é porque sou contra as ações da Secretaria de Cultura que não gostei da peça. Pelo contrário, de forma geral, gostei bastante!




Foram 2 sessões completamente lotadas no Cine 9 de Abril, patrimônio histórico municipal, e os ingressos gratuitos esgotaram-se em menos de 5 horas! Levando-se em conta que o cinema tem 1.500 lugares, foram 3.000 ingressos. Sucesso absoluto!

Começarei falando dos contras e depois comento o espetáculo em si: a peça começou atrasada na primeira sessão, marcada para as 19h, e mais atrasada ainda na segunda sessão (a qual eu assisti), marcada para as 21h, tendo começado de fato por volta das 22h40min.E os textos são muito bacanas, mas talvez por estar muito cansada (saí de lá já passava de meia-noite) e o evento ter acontecido em plena terça-feira, acho que a peça poderia ter metade da duração. Muito longa, a gente perde o pique!

Agora comento a peça em si: admito que fiquei surpresa com a boa qualidade do texto.
A escolha foi muito ousada enquanto forma de incentivar a população a freqüentar teatros, já que o tema não é exatamente democrático, mas achei o texto sensacional e me identifiquei com muitas coisas.

Aliás, já que a intenção é justamente provar que a negação da vagina é a negação da própria mulher, talvez seja preconceito meu achar o título um pouco forte. Coisa de menina de cidade pequena.


O texto tem até algumas partes bem sérias e tocantes, como as que falam sobre estupro e mutilação genital feminina.


Originalmente pela autora norte-americana Eve Ensler, a peça foi trazida para o Brasil em 2001 pelos atores e produtores Cássio de Souza e Vera Setta, tendo sido adaptada e dirigida por Miguel Falabella.

Foi a terceira vez que a peça foi exibida em Volta Redonda, mas só agora pude assisti-la. E como aqui na cidade a maioria das peças que fazem sucesso são de senso de humor duvidoso (no melhor estilo "Zorra Total"), sentei na poltrona do teatro bastante apreensiva, mas fiquei feliz ao ver que as personagens comentavam sobre assuntos que me eram tão familiares.

A base do texto são depoimentos verídicos de mais de 200 mulheres que Eve colheu em todo o mundo e transcreveu de maneira bem humorada, direta e livre de preconceitos. A peça mostra como as mulheres, por tantos anos dominadas pelo sexo oposto, retomam neste novo milênio a posse por suas vaginas, seus corpos e seus destinos. De acordo com a produtora da peça, "a intenção é tornar o órgão feminino um símbolo da importância das mulheres e do respeito que merecem".

Não assisti a produção original norte-americana, mas li num site que, na versão original, a própria Eve, sozinha no palco, era uma jornalista num vestido preto falando ou lendo o próprio texto-testemunho sobre a vagina, de pernas cruzadas. As pernas do trio brasileiro, por outro lado, estão a “dançar” durante toda a peça.

Talvez tenha sido essa diferença que tenha dado um ar um pouco "Toma Lá Dá Cá" em alguns momentos durante a peça, mas cada diretor com seu vício, não é mesmo?


Como já disse anteriormente, acho que a peça poderia ter metade da duração, e eu mesma, se fosse a diretora, cortaria metade do texto. Algumas coisas são bem ruins e manjadas (como os "tipos de orgasmo", por exemplo - mas não sei se isso faz parte do texto original ou é invenção do Falabela).

Mas no geral, a experiência foi superválida. Recomendo a todAs (achei a peça muito mais voltada para o público feminino; meu namorado ficou bastante entediado em alguns momentos enquanto eu ria descontroladamente sobre comentários relacionados à primeira menstruação, por exemplo).



Imagens: Divulgação

3 comentários:

Cessel disse...

Mesmo assim valeu a pena ter ido, é sempre bom ir ao teatro.

RaquelAlmeida disse...

Kerow, perdemos a hora aqui em casa hoje! Mas gostei do texto e também achei o mesmo que você em relação às partes desnecessárias, aquelas que todo mundo já recebeu por e-mail.
Eu queria ter visto a cara da homarada quando descobriram que as meninas adoram brincar com as gotas de sangue no vaso!

Vocês pegaram lugares marcados? Eu peguei mas entrou mta gente ali na frente. Logo vi que podia acontecer quando não conferiram os ingressos na entrada. Mas depois tinha até lugar sobrando!

E, pra variar, sofremos com o som. Alex tem um probleminha na audição e ficou sem algumas piadas!

Beijo.

Mari disse...

Humm acabei de ler sobre essa peça em algum lugar. :-P

Tenho vontade de assistir mas nunca me programei para isso. Quem sabe em um belo dia de inspiração?